A historia de Holambra se desenrola em meio à determinação e conquista
de um povo lutador. São cinqüenta anos, desde a imigração holandesa ao
Brasil, resultante da busca de novos horizontes, após a 2º Guerra
Mundial.
Após
terem feito um acordo com o Brasil – um dos poucos países a aceitar a
imigração coletiva, abriram-se às portas para a entrada de grupos
holandeses no país.
Assim,
em 1948 foi fundada a Cooperativa Agropecuária de Holambra, na Fazenda
Ribeirão, situada entre os Municípios de Jaguariúna, Santo Antonio de
Posse, Artur Nogueira e Cosmópolis situadas no Interior Paulista.
Usando
a experiência trazida da Holanda, deu-se inicio a atividade rural. Os
5000 Hectares da Fazenda foram divididos em lotes e distribuídos aos
cooperados, mediante ao compromisso de se desenvolver qualquer atividade
produtiva. Com a não adaptação do gado holandês subjugado pelo clima e
pelas doenças tropicais, optou-se pela lavoura diversificada e pela criação
de porcos e galinhas já aclimatizados.
A
estrutura agrícola hoje forte, especialmente no segmento de
floricultura, a base econômica da cidade. O sistema de comercialização,
realizado através do leilão no Veilling Holambra, e um dos mais
sofisticados do mundo e escoa a maior produção de flores e plantas
ornamentais da América Latina.
Essa
conquista deve-se ao espírito idealizador de holandeses e brasileiro,
que, unidos, erguem uma cidade.
Este
forte sentimento comunitário se fez presente na luta pela autonomia política
quando em plebiscito realizado em 1991, 98% da população votou a favor
da emancipação da cidade. Tendo conquistado sua condição de município,
Holambra empossava em Janeiro de 1993, seus primeiros representantes dos
poderes executivos e legislativos na Prefeitura.  
Em
Abril de 1998 Holambra comemora mais uma vitória : seu reconhecimento
como Estância Turística. A mistura dos povos e suas culturas ,
proporcionaram a construção de uma cidade pitoresca e charmosa que atrai
visitantes de todo o país .
Para
merecer tal conhecimento os esforços estão voltados para garantir a
qualidade de vida da população e gerar infraestrutura necessária para
receber o turista.
Ao
acompanhar o desenvolvimento da colônia de imigrantes na Holambra por um
período de 50 anos é preciso levar em consideração os inúmeros
fatores que tiveram influência neste processo. Em primeiro lugar é
necessário levar em conta que ao deixar o país cada imigrante levava na
bagagem sua própria história vivida na Holanda. Em segundo, a
circunstâncias da época também tiveram grande influência.
A
emigração era algo que pertencia à Holanda do pós guerra.
Principalmente jovens agricultores tinham poucas perfectivas de futuro na
Holanda.

Apesar
dos emigrantes terem partido de uma situação onde havia um certo
conforto, a restrição de divisas da época não permitia aos emigrantes
levar muita coisa para fora do país. No Brasil o imigrante precisou
adaptar-se às circunstâncias brasileiras, tão diferentes das vividas na
Holanda.
Os
interessados em emigrar só haviam ouvido falar do país Brasil, mas
ninguém tinha ido dar uma olhada antes de ir para ficar.
As imagens preconcebidas e as expectativas, por isso, divergiam bastante
daquilo que encontraram no destino e daquilo que puderam realizar.

O
Brasil era para muitos um
livro fechado sobre o qual só se podia sonhar. Logo após a Segunda
Guerra Mundial, período em que muitos agricultores emigravam, havia
entre os católicos da Holanda uma determinada preferência pela França e
pelo Brasil. Esta preferência devia-se principalmente ao fato da
religião católica ser a predominante nestes países. O Brasil oferecia
ainda a vantagem dos imigrantes poderem fixar-se em grupos, formando,
assim, colônias. Já havia exemplos de grupos europeus que haviam formado
colônias no Brasil.

Imediatamente
após a guerra o senhor C. Welter, representante do governo holandês em
Londres, fez uma viagem de reconhecimento ao Brasil. Em 1946, com o
intuito de incentivar a emigração de holandeses, a representação
diplomática recebeu nova força: um adido para assuntos de
emigração, cargo este exercido pelo engenheiro P.C. van Scherpenberg,
que foi nomeado pela Fundação "Landverhuizing Nederland" para
a delegação do Rio de Janeiro.

O
engenheiro G.J. Heymeijer, antigo secretário da K.N.B.T.B. (Organização
dos Lavradores e Horticultores Católicos da Holanda) foi enviado ao
Brasil em 1946 para estudar as possibilidades para os camponeses
holandeses.
Depois de algumas viagens de reconhecimento a K.N.B.T.B. passou à
execução de um projeto de colonização no Brasil. Tanto no Brasil
quanto na Holanda o projeto ficou conhecido como Projeto-Holambra.
O
esquema de trabalho dos imigrantes, organizado de forma cooperativista,
serviu posteriormente de exemplo para outros grupos de camponeses e
horticultores holandeses que se fixaram no Brasil. Também foram surgindo
possibilidades de emigração para pessoas não ligadas à agricultura.
Com a execução deste projeto a relação entre Brasil e Holanda ficou
fortalecida.
Já
nos primeiros anos de existência, mesmo com todos os preparativos e com
apoio financeiro oferecido principalmente pelo lado brasileiro, a
continuidade do Projeto Holambra se tornou inviável. Foi graças a ajuda do
governo holandês, que o plano, para formar na Fazenda Ribeirão uma
colônia de agricultores holandeses, se realizou.

A
execução do projeto de colonização tornou-se mais concreta no final de
1947 quando o doutor Doria de Vasconcelos, diretor do departamento de
colonização do estado de São Paulo, mostrou interesse pela vinda dos
camponeses holandeses (uma das ruas de Holambra traz o seu nome). Os
camponeses holandeses seriam incumbidos de cuidar da produção de leite
para a cidade de São Paulo na fazenda japonesa Monte D'este, perto de
Campinas.
Nesta
fazenda seriam instaladas propriedades de 36 ha cada, com capacidade para
manter cerca de 30 vacas em cada uma delas. O senhor Heymeijer esteve mais
uma vez no Brasil a convite do governador Ademar de Barros. Tanto por
parte do governo federal quanto estadual foram concedidos empréstimos
para colonização de uma área ainda maior.
O projeto no Monte D'este não pode ser levado adiante e então ficou
decidido que seria comprada a Fazenda Ribeirão.
A
15 de junho de 1948 o ministro para assuntos de colonização, senhor
Jorge Latour, fechou acordo com o diretor do frigorífico Armour em
Chicago, acertando as condições de compra. Dos 7000 ha da propriedade do
frigorífico 5000 foram colocados a disposição para o assentamento de
camponeses holandeses que ali poderiam instalar propriedades mistas.
A 5 de julho de 1948 foi então fundada a Cooperativa Agropecuária do
Nucleo Holandês Ribeirão.

No
momento da fundação da cooperativa o líder do grupo assentamento, senhor
Geert Heymeijer, não estava presente. Ele ainda se encontrava na Holanda e
tomava as devidas providências. Logo depois que chegou ele foi para a
fazenda com as pessoas da direção da nova cooperativa e abriu as
atividades de exploração, oficialmente, no dia 14 de julho de 1948.
Antes
de fincar a primeira pá no chão ele fez a seguinte oração: "Deus
abençoe o nosso trabalho". Hoje esta oração está escrita no brasão
do município de Holambra.

No brasão, a área original
das terras da Cooperativa com a pá fincada bem no centro dela também
está relacionada com aquele momento inicial de desbravamento da área onde é Holambra.
O nome Holambra não consta nas atas de fundação da Cooperativa. Este
nome mais eloqüente foi utilizado a partir de 12 de agosto de 1948 como
nome oficial. Ao que parece o nome já havia sido bolado em 1947 para a
fundação de uma sociedade colonial. No final optaram por uma cooperativa
por razões prática e ideológicas, pois o conceito cooperativa era
bastante conhecido e não evocava qualquer problema perante as autoridades
brasileiras.
Com
relação ao nome Holambra o senhor Ton Cruijsen escreveu o seguinte:
"Pouco antes de fundarmos a Cooperativa tivemos de nos juntar para,
juntos com o senhor Heymeijer, darmos um nome a ela. Chegamos logo ao nome
HOLAN BRA, mas para facilitar a pronuncia o N foi trocado por um M,
ficando assim HOLAMBRA".

Na
verdade o AM tem nada a ver com América. Esta explicação do nome
surgiu mais tarde. O nome dos dois países presentes no nome Holambra
representava a cooperação financeira de ambas as partes do projeto. Além
do dinheiro investido pelos imigrantes o projeto só pode ser realizado
graças aos empréstimos da Armour, a proprietária das terras e das
autoridades brasileiras.
A
chegada na
fazenda foi o começo de um período bastante difícil para muitos
imigrantes. Havia muito o que se acostumar. O inverno na fazenda é
bastante quente se comparado com o inverno a que os imigrantes estavam
acostumados na Holanda. Apesar de estar situada a uma altitude de 600m sua
localização nos trópicos provoca temperaturas elevadas. Por diversos
dias no ano mais 30ºC é normal nesta região. À noite esfria um pouco
mas a temperatura ainda assim gira em torno de 20ºC.

Tudo
tinha de ser construído do nada. O terreno em declive era coberto por uma
vegetação baixa e um capim grosso. Toda a área tem que ser desbravada
para poder ser cultivada e oferecer pastagem ao gado leiteiro holandês.
A introdução do gado holandês puro de origem deveria servir de base
para montar a própria fábrica de laticínios. Ao mesmo tempo seria
criado um centro para a reprodução deste gado. Dessa maneira foram
trazidas grandes quantidades de animais.

Ao
chegarem na fazenda os imigrantes descobriram logo o que é que queriam dizer na
Holanda com trabalhar juntos em espírito comunitário. O trabalho começava
cedo com uma reunião de todos os imigrantes na praça da fazenda onde o
trabalho era dividido. Quando o 'gongo' batia começava mais um dia de trabalho
e este momento era o de unir forças pois se tratava de uma cooperativa à
qual os membros haviam emprestado todos os seus haveres.

O
transporte do gado holandês era feito de navio até Santos. Após a
chegada, o gado permanecia em quarentena, em Água Branca, São Paulo, e o
trajeto a Campinas ou Jaguariúna era feito de trem, de onde seguia em
caminhão até a Holambra.
O
gado holandês sempre foi e é bem visto na pecuária, principalmente,
pela produção de leite.
Apesar dos bons preços, o gado nunca foi um sucesso de produtividade,
devido as circunstâncias negativas como doenças, clima tropical, etc.

Enquanto
isso, os estábulos e residências eram construídos.
Por ser um país tropical, os imigrantes achavam que toda a madeira era de
boa qualidade e resistente às intempéries. Passaram a utilizar nos
primeiros anos, a madeira do desmatamento e das matas para o madeiramento
do telhado das casas e estábulos.
Na construção utilizou-se principalmente material comprado em outras
regiões o que não impediu, no entanto, a instalação de uma fábrica de
tijolos e uma serraria própria.

Na
construção da Holambra tinha-se em mente que dentro de apenas alguns anos
cerca de 200 famílias precisariam de uma moradia. Como as construções
existentes eram poucas muitas casas ainda precisavam ser construídas. Para
realizar este empreendimento foi solicitada a ajuda de técnicos holandeses.
Entre as primeiras famílias que chegaram na fazenda haviam alguns técnicos com
experiência em construção.
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